Como escolher um bom café?

"Café não costuma falhar”: histórias, mitos e curiosidades da segunda bebida mais consumida do mundo

por Gustavo Santos da Silva Resende

A segunda bebida mais consumida no mundo é a que hoje serve como ferramenta para aproximar as pessoas. A pergunta “Vamos tomar café um dia desses?” pode ser considerado como um todo quando se trata de marcar uma reunião com os entes queridos para qualquer reunião.

O Brasil é hoje considerado o maior produtor mundial de café, segundo a Organização Internacional do Café (ICO). Segundo estudo publicado pela Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), essa bebida é consumida em 97% dos lares brasileiros, perdendo apenas para a água.
Mas sua popularidade e popularidade foram o resultado de anos de processo. Hoje, o café faz parte de um universo complexo, com carinho para muitas pessoas que nem imaginam. “Café não é só café”. A frase que deu origem ao curta-metragem sobre frutas foi lembrada pelo barista da Nestlé Renan Dantas quando questionado sobre as características da bebida – são muitas.
Originário da Etiópia, diz a lenda que o café foi descoberto por um pastor africano depois de perceber que suas cabras estavam extremamente felizes e cheias de energia depois de mastigar a fruta desconhecida. A Europa era responsável pela distribuição de alimentos. A tradição de tomar uma xícara de café, como a vemos hoje, popularizou-se a partir de 1450 e floresceu até hoje, com centenas de variedades de frutas encontradas.

“Hoje, o café está associado à experiência. Seu consumo aumentou nos últimos anos com o aumento da cerveja. Existem algumas opções que o comprador tem. No momento vemos que há uma preocupação com a qualidade do que está sendo levado, além do interesse público em saber mais a respeito. O café e a forma de beber mudaram ao longo da história, assim como sua qualidade”, enfatiza Renan.
Café Especial
O que é café de qualidade?
Barista explica que existem mais de 300 variedades que podem ser encontradas entre as duas variedades mais vendidas: Arábica e Canphora – a segunda contém o dobro de cafeína que a primeira, encontrada principalmente em cafés especiais. Falar de café de qualidade é complicado quando se tem tantas opções disponíveis. Mas o fato é: o café se tornou um assunto muito sério, desde seu cultivo, até sua preservação, até seu consumo.

Para a pessoa comum, o café é o mesmo, você só percebe se a pessoa é fraca ou forte. O que muita gente não percebe é que há cerca de 40 anos um novo mercado surgiu e dominou o cenário: o de cafés especiais.

Essa ‘nova’ atmosfera tem personagens emocionantes, muitas vezes desconhecidos do público, que fazem a diferença para que a bebida chegue ao seu estado final e encante o paladar de diferentes pessoas. Cientistas, baristas, provadores profissionais, mestre de assados, especialista universitário em educação e até concursos criam essa situação, com muitas características e detalhes.

‘Café especial’, como Boram Um, chefe de controle de qualidade da Um Coffee co. em São Paulo, é chamado após o processo de teste, com equipe chamada ‘Q Grader’ (inspetor de qualidade), especialmente capacitada para medir a fruta. De acordo com a lei internacional, esses testadores analisam vários fatores, como odor, acidez, metabolismo, qualidade do sabor e dão uma classificação. Quando tem mais de 80 anos, o café é considerado especial.

“Não é apenas sorte ou natureza. Há um trabalho muito minucioso por parte do fabricante que vai orientar todo o processo de chegada ao café especial. Tudo afeta a qualidade do copo. É necessário que haja um método bem desenvolvido após a colheita, de forma que seja usado adequadamente. O trabalho começa com a seleção de uma região, passando pela seleção das sementes a serem plantadas até o processo de colheita, que é feito com muito cuidado. E ainda há um longo caminho a percorrer para chegar ao cliente na forma como é prestado”, enfatizou Boram.

A cafeteria Um Coffee co., juntamente com outras dessa categoria, foi criada em 2017 com a proposta de trabalhar exclusivamente com esses cafés especiais. A família Um, dona do prédio, cuida de todas essas etapas, desde o plantio, em sua fazenda em São Gonçalo do Sapucaí, sul de Minas Gerais, até os copos que são servidos aos clientes.
Como escolher um bom café
Apesar das muitas cafeterias distribuídas nas principais cidades do país, a tradição de fazer café em casa nunca será perdida. Mas com as milhares de opções disponíveis no mercado, como escolher um café de qualidade? Especificamente com o objetivo de orientar e proteger o consumidor, a ABIC desenvolveu “selos” que auxiliarão nessa seleção.

Monica Pinto, nutricionista e coordenadora de projetos da empresa, ressalta que é preciso ter cuidado para não confundir higiene com qualidade na hora da compra. “O selo de pureza, fundado em 1989, garante que todos os produtos disponíveis na prateleira do mercado sejam apenas café, sem complicações ou adultérios. Testes microscópicos são realizados para verificar a pureza. Outra marca, criada em 2004, avalia a qualidade desses produtos”, explica.

A ABIC desenvolveu um método de análise sensorial realizado por especialistas treinados quando o café foi dividido em 4 (quatro) categorias de Qualidade: Forte, Tradicional, Alta e Gourmet. Em uma escala de 0 a 10, quanto maior a distância, melhor a qualidade.

Existem atualmente mais de 1.000 produtos certificados, 47% dos quais são produtos premium. Depois de lembrar como foi feita essa seleção de qualidade, é hora de olhar para o tipo que mais combina com você. Nesse caso, o especialista deu algumas dicas:

1) Verifique se o café possui alguma forma de certificação. Ele aconselhou você a experimentar mais de um tipo para ver qual funciona melhor, pois o sabor e o aroma são pessoais;
2) Escolha as embalagens que armazenam mais café, sempre verificando a data de validade, e a última produção;
3) Compre um tamanho de pacote de acordo com a quantidade que costuma usar, para ter sempre café fresco. Quando aberta, a embalagem dura apenas 30 dias – lembrando que o café é indestrutível, mas é aproveitado por seu sabor e aroma e estes se perdem por serem flexíveis;
4) Se for possível moer em casa, opte pela forma de grão, pois possui aroma e sabor bem preservados.
Giuliana Bastos, idealizadora do São Paulo Coffee Fest e criadora do Grão Coletivo, uma coleção de cafeterias e pequenas torrefadoras de todo o Brasil, elogia a qualidade dos produtos do café brasileiro disponíveis hoje.

“É difícil dizer não. Existem grandes variedades tradicionais que deram origem a linhas de cafés especiais como Três Corações, Nestlé, Melitta e outras de médio porte, como Santa Mônica, Orfeu, Bravo, Octavio Café e Santo Grão. É muito perigoso escolher o melhor com uma variedade tão grande, além de ser uma questão pessoal, como os vinhos. O importante saber é que há muitas opções de qualidade em supermercados e cafeterias, microtorrefadores, imobiliárias visuais, sites, Instagram e até WhatsApp”, disse.

Com tantas variações e sem a possibilidade de uma resposta prática de ‘qual café é o melhor?’, a solução é colocar água no fogo e experimentar o máximo para ver qual você gosta.

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