Demissão do presidente da Petrobras

José Mauro Coelho pede demissão após críticas de Bolsonaro

por Gustavo Santos da Silva Resende

O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, anunciou a renúncia ao cargo na manhã de hoje. A informação foi confirmada pela estatal por meio de um comunicado ao mercado (leia no fim desta matéria). Ele foi o terceiro executivo a comandar a Petrobras na gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a empresa, Coelho também deixa o cargo de membro do Conselho de Administração da estatal. Fernando Borges, diretor executivo de Exploração e Produção da Petrobras, foi nomeado pelo Conselho de Administração como novo presidente interino até a eleição e posse do novo comandante da empresa. A saída de Coelho ocorre após uma escalada de críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PL). Na última sexta-feira (17), a Petrobras divulgou novos aumentos no preço da gasolina e do diesel para as distribuidoras.

Após o anúncio dos novos valores, Bolsonaro defendeu a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a Petrobras, seus diretores e conselheiros. “Nossa ideia é propor uma CPI para investigar a Petrobras, seus diretores e os membros do Conselho. Queremos saber se tem algo errado nessa conduta deles, porque não é possível se conceder um reajuste com o combustível lá em cima e com os lucros exorbitantes”, disse, em entrevista à Rádio 96 FM de Natal, na última sexta (17).

Segundo o chefe do Executivo, seus aliados no Congresso devem pedir a abertura do inquérito ainda nesta segunda-feira (20). A proposta ganhou apoio também entre políticos da oposição ao governo. “Conversei ontem com o líder da Câmara [deputado Ricardo Barros] para a gente abrir uma CPI segunda-feira. Vamos para dentro da Petrobras”, disse. “É inadmissível, com uma crise mundial, a Petrobras se gabar dos lucros que tem”, acrescentou.

Gestão de dois meses foi marcada por pressão José Mauro Coelho assumiu oficialmente a presidência da Petrobras em 14 de abril. Ex-secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, foi indicado ao cargo após desistência de Adriano Pires. Em pouco mais de dois meses, sua gestão foi marcada por pressões e polêmicas sobre o reajuste nos preços dos combustíveis. Sua saída já era esperada desde o dia 23 de maio, quando o Ministério de Minas e Energia anunciou a troca de cadeiras. Coelho é defensor da política de paridade da estatal, que vincula os preços dos combustíveis às cotações do dólar e do petróleo no mercado internacional.

“Nós temos que ter os preços do mercado doméstico relacionados à paridade de preços de importação (PPI), porque se assim não fosse, não teria nenhum agente econômico com aptidão ou vontade de trazer derivados para o mercado doméstico e poderia ter desabastecimento no país”, afirmou. Bolsonaro já queria ‘mexer peças do tabuleiro’ A curta gestão de Coelho foi acompanhada de críticas do presidente do Bolsonaro, que falou publicamente dos lucros da empresa e do aumento no preço dos combustíveis.

Uma semana antes de a Petrobras anunciar a saída de Coelho, Bolsonaro já sinalizava uma possível mudança na presidência da petrolífera. E também disse que o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, tem “carta branca” para tomar as decisões. “E aí a gente é obrigado a mexer nas peças do tabuleiro. Dói mandar alguém embora ou quando alguém pede para ir embora? Dói, não é fácil, mas as coisas acontecem e nós temos que mudar. Pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão”, afirmou Bolsonaro no dia 16 de maio.

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