E-commerce no brasil cresce 47% no primeiro semestre, maior alta em 20 anos

Relatório da Ebit/Nielsen mostra que a pandemia provocou crescimento do e-commerce, levando 7,3 milhões de novos consumidores ao setor

por Cristian Gustavo Azevedo

São Paulo, Agosto 2020 – O e-commerce no Brasil registrou recorde de crescimento no faturamento e no volume de vendas no primeiro semestre de 2020, em um momento em que as pessoas buscaram o conforto das compras online para se proteger da pandemia do novo coronavírus. Os dados integram a 42ª edição do Webshoppers, o mais amplo relatório sobre e-commerce do país elaborado semestralmente pela Ebit|Nielsen – em parceria com a Elo.

O faturamento cresceu 47%, maior alta em 20 anos, impulsionado pelo salto de 39% no número de pedidos, para 90,8 milhões, na comparação com o primeiro semestre de 2019. Já as vendas subiram 47%, para R$ 38,8 bilhões neste período analisado.

O valor médio de desembolso cresceu 6%, R$ 427 (1sem’20) e R$ 404 (1sem’19). A necessidade e o aumento na confiança sobre os pagamentos online, levaram 7,3 milhões de brasileiros a comprar pela primeira vez no e-commerce. Com uma expansão de 40% no total, o Brasil chega a marca de 41 milhões de usuários adeptos ao comércio eletrônico. Entre os consumidores, 58% são os chamados heavy users — com mais de quatro compras no semestre, sendo que 20% deles realizaram mais de dez pedidos nesse intervalo. Nos mesmos meses de 2019, os compradores frequentes representavam 53%, sendo 17% com frequência acima de dez vezes.

O pico das compras online ocorreu no auge das restrições de circulação nas cidades brasileiras para a contenção da COVID-19, entre os dias 05 de abril e 28 de junho, com 70% de aumento no faturamento e no número de pedidos, na comparação com os mesmos dias de 2019. Aceleração nas vendas, verificada justamente a partir do segundo trimestre do ano, demonstra uma relação direta com a pandemia. Isso inclusive levou os mais resistentes a experimentar os estabelecimentos .com em função das lojas físicas estarem fechadas.

Julia Avila, líder da Ebit|Nielsen, analisa os números e reforça que, apesar de um crescimento significativo, ainda há um grande espaço para o avanço o comércio online no Brasil.

“O resultado do primeiro semestre deixa claro que o comportamento de compra online é um movimento que veio para ficar. A pesquisa Ebit|Nielsen aponta que, a cada semestre, o volume de pedidos e o faturamento crescem. Sabemos que 93 ,4% dos consumidores responderam ter a intenção de comprar alguma coisa online nos próximos três meses”, disse Avila.

Um exemplo dessa tendência de alta foi o desempenho das datas comemorativas, todas com resultados superiores em 2020 , quando comparadas com os mesmos períodos dos anos anteriores.

Com  o  aumento  da  demanda  em  todos  os  segmentos,  um  dos  pontos  observados  nesse intervalo  foi  a  elevação  nos  prazos  de  entrega:  média  de  11,3  dias  no  primeiro  semestre  de  2020 versus  10,6  dias  nos  mesmos  meses  de  2019.  Neste  ano,  a  taxa  de  pedidos  entregues  fora  do prazo  foi  de  14%  e  e  no  ano  passado  12%.

MARKETPLACES  E  OPERAÇÕES

 

Os  varejistas  de  marketplaces  têm  participação  de  78%  no  faturamento  total  do  e-commerce Brasil.  De  acordo  com  a  Ebit|Nielsen,  R$  30  bilhões  do  faturamento  dos  seis  primeiros  meses  de 2020  são  de  lojas  que  praticam  marketplaces,  uma  expansão  de  56%  sobre  o  mesmo  período  de 2019. 

O  42º  Webshoppers  revela  ainda  um  crescimento  de  61%  no  faturamento  das  operações  dos Bricks  and  Clicks  (modelo  de  negócio  que  atua  tanto  em  loja  online  quanto  em  loja  física)  nos primeiros  seis  meses  deste  ano,  com  73,1%  de  importância  no  total  das  vendas  online  no  país. Nas  operações  deste  tipo  de  loja,  foram  57  milhões  de  pedidos  (+54%  frente  2019)  e  ticket médio  de  R$   495  (+4%).

Já os  chamado  Pure Players  ( modelo de  negócio  exclusivamente  online)  cresceram  26 % em  vendas,  com  R$  9  bilhões  de  faturamento.  Foram  26  milhões  de  compras  por  esse  meio,  com desembolso  médio  de  R$  335,  alta  de  15%  e  9%,  respectivamente.  O  montante  de  vendas  dos Fabricantes.com  (loja  virtual  do  fabricante)  apresentou  recuo  de  8%,  com  total  de  R4  1,4  bilhão, apesar  do  número  de  pedidos  ter  aumentado  42%  (6  milhões  de  pedidos  no  total).  O  valor médio  nas  compras  feitas  nessa  frente  foi  de  R$  213,  queda  de  35%  na  comparação  com  2019.

NORTE  E  NORDESTE  CRESCEM  EM  IMPORTÂNCIA  NO  FATURAMENTO  TOTAL  DO  E-COMMERCE BRASIL

Apesar  do  Sudeste  e  do  Sul  ainda  continuarem  como  os  principais  mercados  para  as  vendas online  no  Brasil,  as  regiões  Norte  e  Nordeste  apresentaram  um  crescimento  significativo  neste primeiro  semestre  de  2020  e  começam  a  ganhar  relevância  no  faturamento  nacional. 

Durante  estes  meses,  o  Nordeste  teve  uma  variação  de  faturamento  de  107%  no  comparativo com  o  mesmo  período  de  2019,  18%  de  importância  nos  números  totais  do  país.  Já  a  reg ião Norte,  apresentou  alta  de  93%  nas  vendas  online,  7%  de  participação  no  total  de  vendas  Brasil.

APLICATIVOS  DE  ENTREGA

Segurança  e  rapidez,  tudo  a  partir  do  seu  celular  nas  compras  feitas  por  meio  de  aplicativos.  O que  antes  da  pandemia  já  era  tendência,  com  as  restrições  impostas  por  ela  acabaram  levando os  consumidores  brasileiros  a  migrar  para  as  compras  por  esse  meio,  sejam  elas  por  aplicativos próprios  das  lojas  ou  os  que  já  operaram  em  serviços  de  delivery,  como  mostra  um  pesquisa realizada  pela  Ebit|Nielsen.  Segundo  o  levantamento,  72%  dos  2.140  consumidores  ouvidos entre  os  dias  1  e  13  de  julho  deste  ano,  começaram  a  usar  ou  estão  mais  usando  aplicativos  de delivery  durante  a  pandemia.  A  principal  motivação:  não  precisar  sair  de  casa.

Entre  os  destaques  estão  os  dispositivos  de  entrega  de  Farmácias  e  Supermercados,  com  maior contribuição  para  entrada  de  novos  consumidores,  10%  e  14%,  respectivamente.  Com  receio  de ir  às  lojas,  clientes  de  Supermercados  fizeram  do  delivery  o  canal  mais  recorrente,  com  12%  de consumidores  usando  o  canal  duas  vezes  ou  mais  por  mês. 

Apesar  da  alta,  a  Ebit|Nielsen  indica  que  ainda  há  muito  espaço  para  expandir,  pois  63%  dos entrevistados  declararam  jamais  ter  usado  aplicativos  de  entrega  para  compras  em Supermercados,  sendo  o  Norte,  o  Centro-Oeste  e  o  Sul  as  regiões  com  maior  oportunidade  de desenvolvimento.

Promoções  e  não  precisar  sair  de  casa  estão  entre  os  principais  motivos  para  a  escolha  dos aplicativos  de  entrega,  com  36%  e  77%  respectivamente. 

SOBRE  A  NIELSEN

 

A  Nielsen  Holdings  plc  (NYSE:  NLSN)  é  uma  empresa  global  de  medição  e  análise  de  dados  que fornece  a  visão  mais  completa  e  confiável  disponível  dos  consumidores  e  mercados  em  todo  o mundo.  A  Nielsen  está  dividida  em  duas  unidades  de  negócios.  A  Nielsen  Global  Media  fornece aos  profissionais  de  mídia  e  publicidade  métricas  imparciais  e  confiáveis  que  criam  uma compreensão  compartilhada  da  indústria,  necessária  para  que  os  mercados  funcionem.  A Nielsen  Global  Connect  fornece  aos  fabricantes  e  varejistas  de  bens  de  consumo  de  giro  rápido (FMCG),  informações  e  insights  precisos  e  acionáveis  e  um  quadro  completo  do  complexo  e mutável  mercado  que  as  empresas  precisam  para  inovar  e  crescer. 

Nossa  abordagem  combina  dados  próprios  da  Nielsen  com  outras  fontes  de  dados  para  ajudar  os clientes  globalmente  a  entender  o  que  está  acontecendo  agora,  o  que  vem  a  seguir,  e  como melhor  agir  com  base  neste  conhecimento.  Uma  empresa  S&P  500,  a  Nielsen  tem  operações  em mais  de  90  países,  cobrindo  mais  de  90%  da  população  mundial. 

 

 

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