Falência do Grupo Ricardo Eletro, 28mil desempregados!

Em 33 anos de história, o varejista Ricardo Eletro superou a situação de hiperinflação, problemas econômicos e aumento da concorrência

por Caio Luiz Silva Barbosa

A Justiça de São Paulo decretou nesta quinta-feira (9) a falência da Máquina de Vendas, dona da marca Ricardo Eletro. Na noite de sexta, o decreto foi suspenso por um despacho da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial de São Paulo, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O relator, o desembargador Maurício Pessoa, afirmou no despacho que o processo de recuperação judicial deveria prosseguir…. 

Em 33 anos de história, o varejista Ricardo Eletro superou a situação de hiperinflação, problemas econômicos e aumento da concorrência. Mas agora é provável que esteja enfrentando a pior guerra das últimas três décadas, ao tentar reverter a decisão devastadora tomada na última quarta-feira (8).

A trajetória de ascensão e queda de uma das maiores lojas do mundo começou em 1989 com Ricardo Nunes, na cidade mineira de Divinópolis. Dez anos depois, o produto chegou à capital e já estava entre as maiores empresas de eletroeletrônicos do país, segundo a própria empresa. No início dos anos 2000, a varejista decidiu expandir para outras províncias, como Bahia e Rio de Janeiro. Além do crescimento orgânico, a empresa adotou uma estratégia de crescimento por meio da adoção. As primeiras a entrar no portfólio foram as lojas MIG, muito populares no Centro-Oeste. Mas o impulso de compra vem se acelerando desde 2010, quando Ricardo Eletro ingressou na Insinuante criando um dos maiores shoppings do Brasil, com a Máquina de Vendas no comando. Nesse mesmo ano, incluía a Citylar, rede com atuação no Centro-Oeste e Norte, e a Eletroshop, com sede ativa em Pernambuco e outros estados do Nordeste. No ano seguinte, foi a vez de Salfer ingressar no conglomerado.

No auge, em 2014, a Máquina de Vendas teve um leilão de quase R$ 10 bilhões, tinha 1.200 lojas e 25.000 funcionários, e se tornou a segunda maior vendedora de bens duráveis ​​do país em valor de varejo, segundo a Revista Luiza. No entanto, com a dificuldade de produzir sinergias e a crescente concorrência no mundo digital, as receitas caíram quase 40% entre 2015 e 2017, segundo balanços do Valor. Em 2017, o faturamento já havia caído para R$ 6 bilhões, com 650 lojas e 13 mil funcionários. Nesse caso, em 2018, a empresa entrou em uma grande crise financeira e, ao longo do tempo, divergências sobre ética de trabalho e relacionamento entre os acionistas da rede regional acabaram levando à saída de quase todos os sócios. Nunes e Luiz Carlos Batista, ex-acionista do grupo e fundador da Insinuante, deixaram o negócio naquele ano.

Devedores, o varejista decidiu pegar uma sentença até 2020 e decide fechar cerca de 300 lojas visuais para focar em canais de vendas online com portfólio de produtos limitado.
Em um esforço para dar a volta por cima – e reduzir custos – a vendedora lançou um novo site no ano passado, em parceria com a Infracommerce e a Vtex. Portanto, todas as ações foram transferidas para a Infracommerce.

O último capítulo do caso veio à tona na última quarta-feira, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que a empresa estava liquidando, dois anos depois de receber assistência jurídica. A equipe da Máquina de Vendas também é alvo da decisão. A sentença cita “identificação de alguns itens de liquidação” e afirma que a atual aquisição judicial “não atende às condições de continuidade”. A dívida total do grupo, incluindo dívidas reembolsáveis, foi estimada em R$ 4,8 bilhões em dezembro de 2021, com R$ 7 milhões de receita no ano passado, uma redução de 98% em relação a 2020. O presidente Ricardo Eletro é Pedro Biachi, ex-presidente executivo de uma empresa de reestruturação. Estibordo. No organograma, a Ricardo Eletro aparece como controlada pela Máquina de Vendas Brasil, que é de propriedade da MV Participações. Em seguida, o principal parceiro do MV é o Reag 90 FIP Multiestratégia, que está desgastado. Para amenizar a situação, o grupo entrou com recurso na tarde desta quinta-feira (9) com pedido de suspensão da decisão da 2ª Câmara de Direito Empresarial de São Paulo. Na matéria, ele afirma que tomou conhecimento da sentença “com grande surpresa”, que a decisão foi “prematura” e que “não houve demissão com intenção de fraudar” na empresa.

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