Um dos conteúdos mais compartilhados no Facebook nesta quinta-feira é a história de Hessy Taft que, em 1935, ganhou um concurso e serviu como modelo de bebê ariano para uma revista alemã nazista. Mas, como ela revelou no mês passado à USC Shoah Foundation, na verdade, ela é judia.

Hessy conta que um fotógrafo enviou a sua foto para o concurso para “ridicularizar os nazistas”. Depois disso, a família de Hessy manteve a filha escondida, com medo que fosse descoberta. Atualmente, ela vive em Nova York e é professora de Química na Universidade Católica de St. John.

A foto ganhadora de um concurso que escolheu o “bebê ariano ideal”, promovido pelo partido nazista alemão em 1935 era, na verdade, de uma criança judia. A afirmação foi feita pela professora Hessy Taft, 80, protagonista da foto, ao jornal alemão “Bild”.

Antes de a 2ª Guerra Mundial começar, a mãe de Hessy Taft, então com seis meses, levou a menina para ser fotografada por Hans Ballin em Berlim, capital da Alemanha.

A mãe de Hessy teria ficado surpresa e com medo ao ver a foto da menina estampada na capa da revista nazista “Sonne ins Haus.” Ela retornou ao estúdio de Ballin para indagá-lo sobre o fato. Ele confessou ter enviado a foto de Hassy para o concurso do “bebê ariano perfeito”. “Eu queria ridicularizar os nazistas”, teria dito Hans à mãe da criança.

professora Hessy Taft

Os pais mantiveram a menina escondida depois do incidente, com medo de que a sua identidade judia fosse descoberta. Além da capa da revista, a foto de Hessy passou a circular amplamente em cartões postais da propaganda nazista.

“Agora eu posso dar risada”, disse Hassy ao “Bild”. “Porém, se os nazistas soubessem [naquela época] quem eu realmente era, eu não estaria viva.” Ela diz ter alguma “satisfação” na “pequena vingança” da qual fez parte involuntariamente.

O pai de Hessy chegou a ser preso pela Gestapo em 1938, mas com a intervenção de seu contador, membro do partido nazista, acabou libertado. Depois da prisão, a família mudou-se para Paris.

Hessy, que trabalha como professora de química em Nova York (EUA), doou o exemplar da revista com a foto na capa ao Memorial do Holocausto Yad Vashem, em Israel. (Com Telegraph)